Retrospectiva 2020: as frases que marcaram o ano em Roraima


G1 lista declarações feitas por políticos, moradores e relatórios que se destacaram nos últimos 12 meses no estado. Retrospectiva: as frases que marcaram 2020 em Roraima
Arquivo pessoal
O ano de 2020 em Roraima foi marcado, principalmente, pela pandemia de coronavírus que rendeu críticas da gestão da capital ao governo estadual, discussões sobre as medidas para conter o avanço do vírus, a responsabilidade individual para manter a quarentena e o uso de máscara e a preocupação com o que a Covid-19 poderia fazer na Terra Yanomami, o maior e mais vulnerável território indígena do Brasil.
No entanto, histórias de superação, sonhos realizados, iniciativas para conter o garimpo ilegal e professores superando obstáculos para garantir à educação de alunos indígenas também marcaram e emocionaram os roraimenses.
Todos estes casos, e muitos outros, renderam declarações que marcaram o ano de 2020. Alguns chocaram com frases polêmicas, outros com falas motivacionais. O G1 reuniu as principais frases do ano em um único lugar. Confira abaixo:
Janeiro
Segundo Comissão dos Direitos Humanos da OAB Roraima, alguns presos não conseguem andar
Arquivo pessoal
“É deprimente. Um dos presos estava com ferimento no pé em carne viva e relatou que se sentiu como se algo estivesse corroendo ele por dentro.”
Disse o presidente da Comissão do Direitos Humanos da OAB Roraima, Hélio Abozaglo, sobre o surto de doença de pele na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (Pamc).
Fevereiro
Janaína realizando o desejo de tomar o banho com água do caminhão de bombeiros
Divulgação/Corpo de Bombeiros
“Eu achei tudo maravilhoso. Eu estava desanimada quando acordei, mas pensei: quer saber? Vou levantar dessa cama, vou me animar para poder ser exemplo para outras pessoas.”
Disse a jovem Janaína da Silva que morreu dois dias após realizar o sonho de tomar um banho com água do carro dos Bombeiros. Ela passava por tratamento para um câncer renal e foi incentivada por uma amiga a fazer um desejo.
Março
Chocolate produzido durante oficina em comunidade Waikas
Rogério Assis/ISA/Divulgação
“Este cacau diferente e natural só existe porque os índios estão protegendo a floresta e manejando ela há milhares de anos.”
Disse o representante do Instituto Social Ambiental, Moreno Martins, sobre o “Chocolate Yanomami”, que é uma das apostas para evitar que garimpeiros recrutem jovens indígenas.
Abril
Médico enfrenta dificuldades para chegar em Roraima
“Este é um momento ainda mais necessário para a saúde indígena, ainda mais desafiador e precisamos começar precocemente a intensificar a campanha, as medidas de prevenção, proteção e tratamento dos casos de Covid-19 nos territórios indígenas.”
Frase do médico Gusthavo Cândido, que vive em Minas Gerais e foi convocado para atuar em uma área indígena em Roraima, mas não conseguia se apresentar ao posto de trabalho em razão da suspensão de viagens durante a pandemia de coronavírus.
Maio
Servidor do TRE-RR ficou isolado em Alto Alegre
Arquivo pessoal
“Fui fazer o exame por precaução. Eu poderia ter feito um estrago, corri o risco de ter contaminando muita gente. Eu não senti nem dor de cabeça e é por isso que é muito sério a questão de ficar em casa.”
Disse o servidor público, Silvio Fernando de Carvalho Brasil, que não teve sintomas após ser infectado pelo coronavírus. Ele fez o teste por precaução e antes mesmo do resultado positivo se manteve em quarentena, indo apenas ao trabalho e mercado.
Prefeita de Boa Vista, Teresa Surita (MDB)
Prefeitura de Boa Vista/ Divulgação
“Não temos como fazer este planejamento pela falta de planejamento do governo do estado. E não estou criticando, é porque não tem mesmo. O novo secretário parece, pelas conversas que tivemos, que consegue caminhar com os processos e ações, mas como se perdeu muito tempo, é difícil acelerar e chegar onde precisava.”
Fala da prefeita Teresa Surita (MDB) quando Roraima chegou ao pico de contágio da Covid-19. Na época, ela estudava antecipar feriados para manter a quarentena, mas descartava a possibilidade de “lockdown”.
Junho
Lideranças dos povos yanomami e ye’kwana se reúnem em encontro que debateu a presença de garimpeiros no território
VICTOR MORIYAMA / ISA
“Vemos que quem pode levar mesmo o vírus lá para dentro são os garimpeiros, porque saem da cidade e acabam tendo contato com os indígenas. Eles atraem os índios com comida e bebida. Se esse vírus se espalhar dentro da terra indígena, essa pandemia vai causar um genocídio lá dentro.”
Frase de Edson Damas, procurador do Ministério Público de Roraima. Na época, o coronavírus ainda não havia chegado a Terra Yanomami, mas estudos apontavam a região como uma das mais vulneráveis à pandemia.
Presidente da ALE-RR Jalser Renier (SD) e governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL, em fevereiro deste ano
Reprodução/Instagram/Jalser Renier
“No sistema político brasileiro, precisamos fazer uma gestão mais participativa. Então, o que nós fizemos foi um pacto pela governabilidade, vamos dizer assim.”
Afirmou o governador Antonio Denarium (sem partido) ao nomear Marcelo Lopes como secretário de Saúde. Lopes foi indicado pelos deputados da Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR)
Julho
Jovem com sucuri no pescoço
Arquivo pessoal
“Fiquei com medo porque não sabia o que ela poderia fazer comigo ou com as outras pessoas que estavam lá. No impulso, peguei ela pela cabeça e coloquei no pescoço. Agi por impulso, foi no susto.”
Contou o jovem Cleisson Figueiredo Santos sobre pegar uma sucuri, em meio à uma alagação, e colocar a serpente no pescoço.
Agosto
Para chegar até a impressora, é preciso atravessar igarapés cheios e estradas inundadas
Reprodução/Instagram/Glycya
“Tem sido um desafio e um desgaste físico. Mas, estamos fazendo nossa parte como educadores, tentando levar aquilo que temos como missão, que é estar preocupado com o ensino e aprendizado das nossas crianças e jovens.”
Disse o professor Telmo Ribeiro, que percorria 30 km para entregar atividades do dia a dia para alunos da escola Presidente Afonso Pena, localizada em uma área indígena no município de Normandia.
Fronteira do Brasil com a Venezuela fechada em razão do coronavírus desde 18 de março
Fabrício Araújo/G1 RR
“Estou à lei de Deus. Sem nenhum tratamento desde que se tornou impossível entrar no Brasil. As linhas de ônibus para Pacaraima estão todas suspensas. Os terminais ou estradas, como é dito no Brasil, estão totalmente fechados.”
A frase retrata o drama de Jesus Enrique Rojas, que assim como ouros venezuelanos infectados pelo HIV, ficou sem remédios para controlar o vírus desde que a fronteira com o país vizinho foi fechada pelo governo brasileiro.
Setembro
A jovem Thaís Adrielly no topo da Serra do Tepequém, que tem mais de mil metros de altitude
Thaís Adrielly/Arquivo pessoal
“A recompensa maior é inspirar outras pessoas, esses limites servem para serem quebrados.”
Disse a jovem Thaís Adrielly Silva que tem uma perna amputada e subiu ao topo da Serra do Tepequém, com 1022 metros de altitude.
Mike Pompeo em coletiva na base área de Boa Vista
Juliana Dama/G1
“Não devemos esquecer que ele está destruindo seu próprio país e também é um traficante de drogas. Está impactando na vida dos americanos.”
Disse o secretário de estado Americano, Mike Pompeo, sobre o presidente da Venezuela, Nicolás Maduros, em passagem por Boa Vista.
Outubro
Chico Rodrigues, senador encontrado com dinheiro na cueca
Adriano Machado/ Reuters
“É possível afirmar que os valores foram colocados pelo Senador em suas vestes íntimas entre o momento em que a equipe deixou o seu quarto e iniciou a busca no quarto de seu filho, de forma que ele teria pedido para trocar de roupa em seu quarto para se desvencilhar dos valores que acabara de esconder em suas vestes. Contudo antes disso, foi flagrado pela equipe policial.”
Frase consta em relatório da Polícia Federal sobre buscas na casa do senador Chico Rodrigues (DEM) durante a Operação Desvid-19 que investigou casos de corrupção na Saúde de Roraima com verbas destinadas ao combate da pandemia de coronavírus. Rodrigues foi encontrado com R$ 33 mil na cueca.
Novembro
Dados do relatório indicam que um em cada três Yanomami já pode ter sido contaminado pelo novo coronavírus
Pieter Van Eecke/Clin d’Oeil Films
“Sem uma avaliação efetiva e sistemática, é impossível rastrear a doença e controlar sua expansão nas comunidades. A baixa testagem mascara o real cenário de infecção por Covid-19 entre os Yanomami e Ye’kwana, de modo que o cenário conhecido está longe de ser a realidade do impacto da Covid-19 na Terra Indígena Yanomami. E os casos confirmados não param de crescer.”
Diz trecho de relatório produzido por uma rede de pesquisadores e líderes Yanomami e Ye’kwana, que apontava avanço de 250%, em três meses, da pandemia de coronavírus na Terra Yanomami.
Publicação em que perfil chama candidata de “preta, feia e pobre”
Reprodução/Facebook
“O que me deixa realmente triste é saber que não tem só ela assim, tem outras pessoas que pensam do mesmo jeito e me acusam sem me conhecer.”
Frase foi uma reposta de Karla Coelho a uma mulher que a chamou de “preta, feia e pobre” nas redes sociais. Na época, Karla disputava uma vaga na Câmara Municipal de Boa Vista.
Dezembro
Frutuoso Lins, vice governador de Roraima
Fabrício Araújo/G1
“Ele não tem essa capacidade administrativa de humanidade, não é dele isto. Então ele não se preocupa com a administração da saúde pública.”
Frase foi dita pelo vice-governador Frutuoso Lins (Rede) em crítica ao governador Antonio Denarium (sem partido) por projeto que terceirizou a Saúde de Roraima.
Aposentada Rita Aparecida de Freitas, de 83 anos, reúne uma coleção com mais de 200 bonecas
Juliana Dama/G1 RR
“Na infância, minha boneca era de sabugo, eu não tinha boneca. Fui criada dentro do mato, só trabalhando, capinando, levando água na cabeça.”
Relato é da idosa Rita Aparecida de Freitas, de 83 anos, que só ganhou a primeira boneca aos 60 anos e hoje tem uma coleção com mais de 200 “filhas”, como chama os brinquedos. Ela mora só e diz que as bonecas são a sua companhia.
Luiz Gabriel é o único aluno trans com nome social na UERR
Fabrício Araújo
“É complicado, não é uma maravilha, mas as pessoas precisam entender o processo e se arriscar um pouco. Não só nas escolas e universidades, mas, também, em outros setores, como no SUS que permite o uso do nome social, mas muitos nem sabem disso.”
Disse o estudante de direito Luiz Gabriel Gomes, de 19 anos. Ele é o primeiro aluno transgênero a usar nome social na Universidade Estadual de Roraima (UERR).
Cantor Wanderley Andrade faz show em garimpo ilegal em Roraima
“É um descaso com povo Yanomami, principalmente com a saúde. Enquanto nosso povo sofre, e são dizimados pela malária e Covid-19 propagada pelos garimpeiros, os mesmos estão realizando festas com artistas nacionais, promovendo a prostituição. Diante disso, o governo federal assiste o descaso e se omite a fazer algo a respeito.”
Frase foi uma crítica do presidente Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna de Roraima (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, à contratação do cantor de brega Wanderley Andrade para fazer show em garimpo ilegal.

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