Vidas contadas: após um ano do surgimento da Covid-19, G1 traça perfil da doença em Uberlândia


Reportagem relembra os primeiros casos e medidas tomadas na cidade, além de mostrar como foi o ápice da doença e como ela está nos dias atuais. Vista aérea da cidade de Uberlândia
Valter de Paula/Prefeitura de Uberlândia
No dia 31 de dezembro de 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta do novo coronavírus, depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan.
Depois de um ano, a Covid-19 se espalhou por todos os continentes, parou o mundo e mudou a forma de viver. Um perigo invisível aos olhos que distanciou famílias, transformou todas as relações e ainda está longe de acabar, com o crescimento de casos em diversas regiões do Brasil e uma segunda onda de contaminações em diversos países. Em Uberlândia, foram 740 vidas perdidas pela doença e mais de 42 mil pessoas infectadas.
Início da pandemia
O primeiro caso do novo coronavírus identificado no Brasil foi o de um idoso de 61 anos, que havia voltado de uma viagem da Itália. A data de confirmação foi no dia 26 de fevereiro. Já a primeira morte pela Covid-19 ocorreu no dia 12 de março.
Conforma a doença se aproximava do Brasil, Uberlândia começou a realizar alguns planejamentos. No dia 31 de janeiro, o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) foi definido pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) como referência para a doença no Triângulo Mineiro.
Cerca de um mês depois, no dia 26 de fevereiro, o primeiro paciente com suspeita da doença foi internado em Uberlândia. Ele havia chegado recentemente da Itália e tinha 28 anos de idade, mas não teve o sexo divulgado.
Com o surgimento dos primeiros casos suspeitos na cidade, além do avanço da doença pelo país, artistas que viriam para Uberlândia começaram a cancelar e adiar os shows. Foram os casos da Banda McFly e de Lindsey Stirling. Mais tarde, as bandas Kiss, The Offspring e Pennywise também optaram por cancelar ou alterar a data dos shows.
Primeiros casos confirmados
Advogado com coronavírus em Uberlândia fala sobre sintomas e diagnóstico
No dia 17 de março, a Prefeitura de Uberlândia confirmou o primeiro caso de coronavírus na cidade, na época haviam outros 28 casos sendo investigados. O primeiro infectado foi o advogado Jonathan Campos, 39 anos. Em um vídeo gravado para o G1, ele contou sobre os sintomas da doença, que até o momento era pouco conhecida.
Normas e regras começaram a serem tomadas para controlar o funcionamento dos estabelecimentos e o fechamento de parte do comércio. Escolas e faculdades também suspenderam as aulas imediatamente após o primeiro registro.
Em meio à corrida da população por conta dos primeiros casos, máscaras e álcool em gel começaram a terem maiores buscas na cidade, fazendo com que comerciantes aumentassem os preços e fiscalizações fossem realizadas para controlar a situação.
Mortes pela doença
Prefeitura de Uberlândia confirma primeira morte por coronavírus na cidade
Instagram/Reprodução
No dia 22 de março, cinco dias após o primeiro caso confirmado, Uberlândia teve a primeira morte suspeita de ter sido causada pela doença. A confirmação do primeiro óbito pela Covid-19, ocorreu no dia 2 de abril e o segundo no dia 3.
Com o aumento das mortes a Prefeitura de Uberlândia decretou estado de calamidade pública no município devido aos impactos socioeconômicos e financeiros que poderiam ser causados pela pandemia.
Ainda no mês de abril a cidade atingiu outros marcos da Covid-19. No dia 24 Uberlândia chegou a 100 casos confirmados da doença e no dia 28, a 10ª morte foi confirmada.
Ações na área da saúde
Novos leitos no Hospital Santa Catarina
Prefeitura de Uberlândia/Divulgação
Com mais confirmações e aumento na ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), outros 10 foram abertos no Hospital Santa Catarina, após determinação da Prefeitura, no dia 6 de maio. Em julho, a Prefeitura também anunciou que o hospital seria desapropriado e faria parte do Município.
Também começaram a ser realizados mais testes na cidade, entre eles, os exames por drive-thru, visando identificar mais casos da doença. Com isso, a cidade atingiu 500 casos no dia 20 de maio. Nove dias depois, no dia 29, a marca ultrapassada foi as dos 1.000 infectados pelo vírus.
Com a crescente nos casos confirmados e óbitos, também surgiam os casos de pacientes recuperados. A primeira paciente internada no Hospital Municipal com a doença, Nulcimar Vian, de 56 anos, recebeu alta médica no dia 24 de abril. (veja vídeo abaixo)
Primeira paciente internada no Hospital Municipal de Uberlândia tem alta médica
Aumento nos casos
A partir do mês de junho, Uberlândia começou a ter mortes diárias causadas pela Covid-19 e um aumento no número de casos confirmados. No dia 13, foram registrados pela primeira vez mais de 500 casos em um único boletim.
Uberlândia tinha voltado a liberar o funcionamento de comércios não essenciais, porém, no dia 19 de junho, por conta do aumento dos casos e de apenas um leito de UTI estar disponível na cidade, a Prefeitura decidiu que apenas os serviços essenciais iriam funcionar.
Um dia depois, em 20 de junho, a cidade ultrapassou os 5 mil casos. Já no dia 26, a 100ª morte foi registrada e todos os leitos de UTIs do município estavam ocupados. O aumento nas mortes e nos casos também começou a atingir pessoas mais novas. No dia 2 de julho, uma adolescente de 16 anos morreu por conta da Covid-19, sendo ela a vítima mais jovem da doença no município.
A marca de 10 mil infectados pelo coronavírus foi atingida no dia 16 de julho. Assim, a cidade continuou batendo novos recordes tanto de mortes diárias, quanto de dias seguidos registrando mortes e casos diários.
Ápice da doença
Ônibus lotado em Uberlândia durante pandemia da Covid-19, foto do dia 19/08/2020
Reprodução/TV Integração
No dia 23 de julho, Uberlândia chegou a 50 dias seguidos tendo ao menos uma morte causada pela Covid-19 e passou da marca de 200 óbitos. Em agosto, a cidade continuou tendo aumento nos casos e nas mortes pela Covid-19, chegando a registrar em três dias nove mortes pela doença.
Porém, foi no dia 1º de setembro que o recorde de mortes em um único boletim foi registrado, com 11 vítimas. Entre os dias 24 de agosto e 3 de setembro, Uberlândia teve 100% dos leitos de UTIs voltados para a doença ocupados.
No dia 12 de setembro a cidade atingiu 100 dias seguidos com mortes causadas pela doença. Seis dias depois foi ultrapassada a marca de 500 vítimas. Em relação aos casos confirmados, o recorde foi batido no dia 29 de setembro, quando mais de 770 casos foram confirmados em um único boletim.
Impactos da pandemia
Loja interditada após fiscalização do Procon em Uberlândia, foto do dia 07/07/2020
Vanessa Pires/G1
Diversos estudos foram realizados pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) para saber sobre o impacto da pandemia da Covid-19 no município. Um deles mostrou que a situação dos trabalhadores informais foi prejudicada no período.
“Os trabalhadores informais tiveram uma perda muito maior no nível de ocupação do que os formais. Isso é algo preocupante, porque, desde a crise de 2015 e 2016, a retomada da atividade econômica ocorreu a partir de postos informais, mais precarizados”, explicou a economista Alanna Santos de Oliveira.
Outra pesquisa apontou a tendência de crescimento dos casos confirmados de coronavírus após a flexibilização com abertura comercial. Ela também mostrou que com o fechamento do comércio, houve de estabilização dos números, levando em consideração o monitoramento da média móvel 14 dias após os decretos municipais.
Eventos de fim de ano também foram cancelados por conta da doença, como festas de réveillon e o Futebol Contra a Fome. Igrejas ainda tiveram que se adaptar para as celebrações natalinas.
O projeto “Juntos por Uberlândia”, criado por empresários e moradores, na intenção de ajudar pessoas que passam necessidade durante o período de pandemia foi uma das ações desenvolvidas na cidade visando auxiliar também entidades de saúde, através da doação de insumos e reparação de equipamentos.
Baixa nos números
Após registrar o ápice entre os meses de julho e setembro, Uberlândia começou a registrar diminuição na quantidade de casos e mortes causadas pela doença. Porém, ainda passou a marca dos 30 mil casos no dia 3 de outubro. Já no dia 23, quebrou a sequência de 140 dias seguidos de boletins com pelo menos uma vítima da doença.
No dia 5 de novembro, a ocupação dos leitos de UTIs voltados para a doença teve queda e atingiu 50%, após a Prefeitura passar a contabilizar leitos de emergência de Unidades de Atendimento Integrado (UAIs), como UTIs. No dia 19 a cidade atingiu a marca de 700 óbitos causados pelo novo coronavírus.
A última marca expressiva alcançada pela cidade foi no dia 11 de dezembro, quando foi ultrapassado os 40 mil casos da doença. Agora a expectativa na cidade é da chegada de alguma vacina. No dia 17 de dezembro, o prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, confirmou a assinatura de um memorando de entendimento com o Instituto Butantan para aquisição de 400 mil doses da CoronaVac.
O documento é essencial para facilitar, agilizar e viabilizar a negociação de um acordo definitivo. Com essa quantidade, 200 mil pessoas poderiam ser imunizadas, a partir de janeiro, segundo expectativa da Prefeitura, caso o acordo avance para as demais fases de aquisição e a vacina seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O prefeito também destacou que a Secretaria Municipal de Saúde está organizando a rede para aplicação dos imunizantes, independentemente se forem adquiridos pelo próprio município ou eventualmente enviados pelo Governo Federal.
Embalagem da vacina Coronavac, da farmacêutica chinesa Sinovac
Divulgação/Governo de SP

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