O que o PT quer ao apoiar o candidato de Rodrigo Maia na Câmara?

Ao contrário do que pensa o núcleo radical próximo de Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, sempre afeito às teorias conspiratórias, não é o impeachment o principal norte do apoio do PT ao candidato de Rodrigo Maia à presidência da Câmara. O partido quer, como principal objetivo, ver o presidente da República e seu governo sangrarem até 2022. Mas não necessariamente derrubá-lo.

Quanto menos conseguir avançar em sua agenda, mais o discurso de Bolsonaro ficará frágil para a próxima eleição presidencial. Como a esquerda, e principalmente o PT, continuam com a rejeição alta, a ideia é tentar tirar o doce da boca de Bolsonaro. Ou melhor explicando, se esforçarão para atrapalhar o discurso eleitoral do presidente.

Bolsonaro terá dificuldade para se vender como um gestor que foi bem na pandemia, por exemplo. Mesmo com o auxílio emergencial durante o ano de 2020, daqui a dois anos os beneficiários não se lembrarão com tanta força da ajuda do governo. Mas recordarão que a gestão do atual presidente se enrolou bastante no quesito vacinação da população. Seremos um dos últimos países a conseguir a imunização.

A economia não decolou, obviamente muito atrapalhada pela Covid-19, mas a promessa privatizante e liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes, não foi colocada em prática. Basta lembrar da “debandada” em 2020 do governo, quando integrantes da equipe de Guedes, como o empresário Salim Mattar e o economista Paulo Uebel, pediram demissão por dificuldades em implementar justamente as medidas liberais.

Na política, bem… Na política… Bolsonaro não só arruma uma confusão atrás da outra com sua artilharia pesada, destilando ódio e discórdia pela Praça dos Três Poderes, em Brasília, como se aproximou do que há de mais fisiológico no Congresso, minando seu próprio discurso de combate à corrupção e de que faria algo técnico ao chegar ao poder.

É com o desejo de fragilizar esses três pilares que o PT se movimentou para apoiar Baleia Rossi, de Rodrigo Maia, e não Arthur Lira, do centrão, que tem o aval de Bolsonaro. Com o novo presidente da Câmara, a ideia é tentar atrapalhar ao máximo o governo e mostrar que Bolsonaro não cumpriu o que prometeu na política, na economia e ainda foi incompetente na gestão do país durante a pandemia.

Impeachment é algo que depende de muitos fatores, como a derrocada total da economia e o aumento exponencial do desemprego, incluindo o mais importante e imprevisível fator: o humor da população em relação ao governante. Fazer política no dia a dia mirando a próxima eleição é mais fácil, especialmente com a oposição controlando a pauta do Congresso.

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