Baleia lança candidatura e faz aceno à esquerda: ‘Ou aumenta o Bolsa Família ou volta o auxílio emergencial’

Presidente nacional e líder do MDB na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi lançou oficialmente sua candidatura à presidência da Casa na tarde desta quarta-feira, 6, ao lado do atual mandatário, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de lideranças de partidos que aderiram à sua campanha. Em um pronunciamento de aproximadamente 15 minutos, prometeu trabalhar pela independência do Parlamento e fez um aceno às siglas de esquerda ao dizer que, com o agravamento da pandemia do novo coronavírus, é dever do Legislativo buscar uma alternativa ao fim do pagamento do auxílio emergencial. “É importante voltarmos a olhar a nossa pauta com responsabilidade fiscal, votando reformas importantes e também, por que não, voltar a debater o auxílio emergencial. A pandemia não acabou. No ano passado, parecia que viraríamos o ano e a pandemia acabaria, mas essa não é a realidade. Temos milhões de brasileiros que deixarão de ter o básico, o alimento em suas mesas. Temos que buscar uma solução: aumentar o Bolsa Família ou buscar novamente o auxílio para os mais vulneráveis”, disse, sob aplausos dos presentes.

Baleia Rossi também fez uma crítica indireta à candidatura de Arthur Lira (PP-AL), líder do PP, expoente do Centrão, e candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro. Para o presidente do MDB, a Câmara dos Deputados não pode ser “submissa” ao Palácio do Planalto. “Temos o dever de fiscalizar, de acompanhar, as ações do Executivo. Exatamente por isso, a Câmara não pode ser submissa. Porque se for submissa, ela não fiscaliza, não acompanha, não participa das questões que são importantes para o debate do nosso país”, disse. Opositores de Lira afirmam que uma eventual vitória do aliado de Bolsonaro poderá transformar a Casa um “puxadinho do Planalto”. Já os aliados do deputado do Centrão afirmam que Lira jamais será subserviente.

Em seu discurso, Baleia Rossi também reiterou seu compromisso com um programa universal e gratuito de vacinação. Segundo o emedebista, em um acordo firmado com Rodrigo Maia, há a possibilidade de Câmara e Senado votarem, ainda no mês de janeiro, uma medida relacionada à imunização dos brasileiros. A defesa de campanhas de vacinação, inclusive, é um dos pontos que compõem a lista de compromissos celebrados entre Rossi e líderes dos partidos de esquerda.

A eleição para a presidência da Câmara ocorrerá no dia 1º de fevereiro. Para vencer em primeiro turno, o postulante precisa de, no mínimo, 257 votos. O bloco costurado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reúne 11 partidos (PT, DEM, PDT, PSB, MDB, Cidadania, Rede, PV, PcdoB, PSDB e PSL) que, somados, possuem 281 parlamentares. Arthur Lira, por sua vez, conta com o apoio de 10 legendas (Progressistas, PL, Avante, Republicanos, Solidariedade, PSD, PTB, PROS, PSC e Patriota), que contam com 204 deputados ao todo.

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