Estudante faz relato de ataques racistas na internet e decide rebater com música: 'Aceita que dói menos'


Adolescente de 18 anos com quase 14 mil seguidores no Instagram citou música da artista Karol Conká, com objetivo de exaltar orgulho de ser negra. ‘Um carvão desse se acha’, comentou seguidora. Uma estudante e digital influencer de 18 anos denuncio, através das redes sociais, ter sofrido ataques racistas de uma seguidora após postar um vídeo na internet. Como resposta, Cailane Queiroz citou a música da artista Karol Conká, com o objetivo de exaltar o orgulho de ser negra.
O caso aconteceu no último sábado (8). Cailane Queiroz, conhecida como blogueirinha, tem quase 14 mil seguidores no Instagram e mais de 41 mil no Tik Tok.
No sábado, a baiana publicou um vídeo no Tik Tok e foi surpreendida com uma amiga, que mandou uma mensagem em um aplicativo mensagens avisando que uma seguidora tinha comentado no vídeo dela que “um carvão desse se acha ainda kkk”.
Baiana denuncia ter sofrido ataque racista e respondeu com música
Reprodução / Redes Sociais
Ao G1, Cailane Queiroz disse que se sentiu surpresa e nunca esperava que sofreria racismo nas redes sociais.
“Eu fui olhar e vi a menina me atacando. O coração começou a acelerar e eu fiquei pasma. Eu não fiquei triste, mas fiquei abismada com a audácia dela de me falar isso, de ela chegar na cara de pau e mostrar mesmo que ela é uma pessoa racista”, disse Cailane Queiroz.
Cailane Queiroz então decidiu rebater o comentário da seguidora, mas de uma forma diferente.
“Ai, gente… Era para [eu] ficar ofendida? Nossa! Não atingiu. Faz um comentário melhor para ver se eu apareço aqui chorando”, comentou.
Os ataques de injúria racial continuaram mesmo assim. A mesma seguidora, que teve a conta suspensa após ser denunciada por vários usuários, voltou a comentar o vídeo.
“Não era para atingir, só falei a verdade. Te amo carvão. Cuidado, se não, coloco você na churrasqueira”, escreveu a mulher.
Foi então que Cailane decidiu responder com música.
“É o poder! Aceita, porque dói menos. De longe falam alto, mas de perto tão pequenos. Se afogam no próprio veneno. Tão ingênuos”, digitou a jovem, usando o hit “É o Poder”, de Karol Conká.
Cailane denunciou ataque racista nas redes sociais
Reprodução / Redes Sociais
A estudante ainda não registrou boletim de ocorrência na delegacia, mas decidiu que vai tratar mais o tema racismo e intolerância religiosa nas suas redes sociais.
“Meu conteúdo é voltado para estética, cabelo, racismo e intolerância religiosa. Eu abordo demais nas redes sociais o quesito autoestima, que muitas pessoas sofrem com a baixa autoestima e eu sempre foco nisso”, disse.
“Eu quero usar tudo isso que está acontecendo para incentivar as pessoas a expor e denunciar os casos de racismo”, concluiu.
Sonho de ser modelo
Cailane tem sonho de ser modelo
Reprodução / Redes Sociais
Moradora do bairro de Itapuã desde os quatro anos, Cailane Queiroz luta pelo sonho de se tornar modelo. As primeiras experiências em uma agência na cidade não deu certo, mas ela viu a chance de se tornar digital influencer como uma forma de alcançar seus objetivos.
“Eu sempre tive o sonho de ser modelo, mas ai não deu muito certo na agência, em 2018. Eu fiquei meio desanimada, ganhei meu celular e pensei em me testar nesse ramo [digital influencer] e assim eu conseguiria me tornar uma modelo”, contou a baiana.
“Foi ai que eu comecei a criar conteúdo e não imaginaria que alcançaria 14 mil seguidores”, ressaltou.
Cailane Queiroz produz conteúdos voltados para estética, tratamento de cabelos, racismo e intolerância religiosa. “Eu também abordo nas redes sociais o quesito autoestima, porque muitas pessoas sofrem com a baixa autoestima e eu sempre foco nisso”.
A baiana também contou que além de mostrar o trabalho dela para outras agências, a carreira como digital influencer vem ajudando ela a trabalhar a insegurança. Foi assim que ela conseguiu responder o ataque racista.
“Dia 09/01/2021 foi a primeira vez que sofri racismo nas redes sócias, e obviamente eu não liguei para o comentário maldoso dela, mas o que me incomodou foi ver que em pleno século 21 existe isso. Temos que falar sobre racismo todo dia, temos que estar sempre PREPARADOS para qualquer ato racista, mas Cailane o que você quer dizer com isso? Para sermos forte e não ficar triste por causa disso, se aceite! Você se aceitando qualquer comentário racista não vai te atingir ao contrário vai te fazer ficar mais forte para seguir em frente”, disse em post feito nas redes sociais.
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