Feminicídio: preso é condenado a 24 anos de prisão pela morte da ex, mãe de gêmeas, em Macapá


Samira Mendes foi morta a facadas, aos 21 anos, em 2019. Testemunhas pontuaram que réu era violento e que rondava a casa da vítima dias antes do crime. Defesa recorreu da sentença. Júri nesta quinta-feira (23) julgou o réu acusado de matar Samira Soares Mendes, em 2019
Tjap/Divulgação
Josiel de Souza Martins, de 32 anos, foi condenado à prisão pela morte da ex, a jovem Samira Soares Mendes morta a facadas aos 21 anos, na frente das filhas gêmeas do casal, em 2019, na Zona Sul de Macapá. O julgamento terminou após cerca de 8 horas de sessão de júri nesta quinta-feira (23).
Ele foi condenado a 24 anos e 9 meses de reclusão pelo crime de homicídio qualificado, e por 5 meses e 18 dias de detenção pelo descumprimento de medida protetiva.
A vítima foi morta com várias facadas dentro da casa onde morava no bairro Araxá, na Zona Sul, na madrugada de 19 de outubro de 2019. Martins sempre apareceu como o principal acusado porque testemunhas afirmaram ter visto ele saindo da casa de Samira após o ataque.
Samira Mendes foi morta a facadas em Macapá, em 2019
Facebook/Reprodução
Os depoimentos também apontam que ele era uma pessoa violenta. O investigado já tinha uma condenação por lesão corporal contra a vítima, que também tinha uma medida protetiva de urgência contra ele.
Nesta quinta-feira, a ação penal chegou ao julgamento por júri popular. Por acusação do Ministério Público (MP) do Amapá, o réu respondeu por descumprimento de medida protetiva e também por homicídio com as seguintes qualificadoras:
por motivo torpe;
com emprego de meio cruel;
utilizando recurso que dificultou a defesa da ofendida;
e contra a mulher por razões da condição do sexo feminino (feminicídio).
O MP pontuou que, conforme investigação, o criminoso invadiu a casa da vítima já armado com a faca, que depois foi deixada no local do crime. O ataque teria sido presenciado pelas filhas de Samira com Josiel.
Para a equipe de acusação, sempre ficou claro que Josiel não aceitava a separação do casal e que por isso, mesmo com o término da relação, o réu rondava a casa de Samira constantemente, conforme testemunhas relataram em juízo.
Na delegacia e em juízo na fase de instrução processual, Josiel decidiu permanecer em silêncio e não responder aos questionamentos. No entanto, diante do júri, ele confessou que desferiu as facadas na vítima, mas negou que soubesse que a vítima tinha medida protetiva.
No julgamento, a defesa pediu a condenação por homicídio simples, sem as qualificadoras, e que os jurados não acolhessem a tese de descumprimento de medida protetiva.
Com a sentença, a defesa recorreu da decisão ainda no plenário, mas ele ficará preso até o julgamento do recurso.
Relembre o caso
Crime ocorreu na casa da vítima, no bairro Araxá, em Macapá
Reprodução/Rede Amazônica
Samira Mendes morreu no Hospital de Emergência (HE) de Macapá, horas após ter sido esfaqueada dentro de casa, no bairro Araxá, na Zona Sul da capital.
Quando o crime ocorreu, Josiel de Souza Martins, na época com 30 anos, foi apontado como autor do crime. Ele já havia sido condenado pela Justiça por lesão corporal e ameaça. Os crimes foram praticados entre abril e maio de 2017, também contra Samira.
Na época, ele a agrediu com socos e a esganou com um cabo de eletrodoméstico.
Ex-companheiro de Samira foi preso 6 dias após o crime, em Tartarugalzinho, por força de um mandado de prisão preventiva
Rede Amazônica/Reprodução
Em função do caso, a Polícia Civil pediu e a Justiça autorizou no dia seguinte ao crime a prisão preventiva de Josiel. Ele foi preso 6 dias depois, escondido num sítio na Zona Rural de Tartarugalzinho, a 230 quilômetros da capital.
Desde então ele foi mantido recluso no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
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