‘Biden deu continuidade à política externa de Trump, como governo Bolsonaro esperava’, diz Filipe Martins

O assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, afirmou, nesta quarta-feira, 27, que o governo Bolsonaro espera estabelecer uma boa relação diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Para Martins, algumas decisões do governo recém-eleito indicam sintonia entre americanos e brasileiros na política externa. “A campanha de Biden, em relação a assuntos internacionais, tentou explorar o argumento de que eles teriam mais capacidade de fazer frente à ascensão da China do que o governo Trump. Há nos Estados Unidos um consenso de que é necessário reverter esta ascensão. Na América Latina, o governo Biden reconhece Juan Guaidó como representante legítimo da Venezuela, e não a ditadura de Maduro. A embaixada americana em Jerusalém também foi mantida, dando continuidade à política externa de Trump, como nós do governo Bolsonaro esperávamos”, disse Martins em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan.

Questionado se o Brasil irá mudar as diretrizes de sua política ambiental para estabelecer melhor interlocução com os Estados Unidos, Filipe Martins afirmou que o grande desafio do governo Bolsonaro é “fazer com que os dados e informações sobre meio ambiente cheguem de forma clara no exterior”. “Em cada viagem que fazemos, fica muito claro para alguns membros de governo estrangeiros que, para eles, o Brasil é sinônimo de Amazônia. Mas, na verdade, temos um patrimônio que vai além disso. O governo tem priorizado a limpeza de suas águas, dos ares, tem feito a defesa do meio ambiente. Mais da metade da população brasileira sequer tem acesso a saneamento básico. Temos que colocar essas informações a esses governos. Há coisas que precisam ser feitas [na área ambiental], mas estamos agindo naquilo que afeta o brasileiro no dia-a-dia”, explicou.

O assessor para assuntos internacionais também afirmou que opositores do governo têm feito “alarde” e “estardalhaço” sobre a relação do Executivo com China e Índia. O Brasil depende dos dois países para a importação dos insumos necessários para a produção das vacinas desenvolvidas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz. “Nós vimos alarde e estardalhaço de críticos que diziam que o Brasil não seria capaz de adquirir as vacinas de Oxford por ter péssima relação com a Índia. Isso não é verdade. Há um ano, Bolsonaro foi o convidado especial do primeiro-ministro Narendra Modi na parada militar do país. As relações são as melhores possíveis. Em relação à China, disseram que a política externa atrapalhou, mas o próprio embaixador [Yang Wanming] ressaltou que não havia qualquer entrave por razão política. As coisas estão encaminhadas, as vacinas estão a caminho do Brasil e em breve os insumos estarão aqui”, disse.

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