Cantor e esposa denunciam que foram agredidos por policial militar, em Senador Canedo


Warley Carvalho contou que foi preso suspeito de furtar combustível e afirmou que foi agredido para confessar crime que não cometeu. Caso está sendo apurado pela Polícia Civil. Cantor e esposa denunciam que foram agredidos por policial militar, em Senador Canedo
O cantor Warley Carvalho, de 35 anos, e a esposa dele, a servidora pública Deborah Coelho, 23, denunciaram à Polícia Militar que foram torturados por um tenente da corporação em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. O casal gravou um vídeo mostrando os ferimentos que sofreu e relatando o que aconteceu (assista acima).
O G1 não conseguiu localizar o policial militar acusado da agressão para pedir uma posição sobre o caso. A reportagem solicitou à Polícia Militar uma nota, por e-mail, às 13h13 deste sábado (18), e aguarda retorno.
A Polícia Civil informou que está investigando o caso, que o policial militar já foi ouvido, assim como algumas testemunhas, mas que o delegado responsável não deve falar sobre as apurações antes de segunda-feira (20).
Segundo o cantor, as agressões aconteceram nos dias 3 e 4 de setembro, mas só agora ele decidiu expor o caso como tentativa de se proteger, porque está com medo.
Warley Carvalho denunciou que foi agredido com a esposa
Reprodução/Instagram
Warley disse que, por causa da pandemia da Covid-19, comprou um caminhão com um sócio para começar a fazer entregas de combustíveis, já que o ramo de entretenimento ficou muito comprometido. Ele contou que passou a prestar serviço a uma empresa onde o irmão dele é gerente.
A reportagem procurou o advogado da transportadora que aparece citado nos documentos referentes ao caso, por meio de mensagem às 17h deste sábado, e aguarda retorno.
Agressão ao cantor
O cantor disse que a empresa o chamou para conversar no último dia 3 de setembro porque um cliente havia reclamado, por e-mail, que uma das entregas feitas por Warley chegou com 2 mil litros de diesel a menos.
“Quando isso aconteceu todo mundo ficou desesperado pensando que iam perder cliente. A dona chamou o marido, que é tenente da PM. Eu estava na empresa aguardando, achando que iriamos conversar, mas ele já chegou me algemando com os braços para trás”, relatou.
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Warley Carvalho denuncia que foi agredido por policial militar
Reprodução/Arquivo pessoal
Warley denunciou que foi agredido com chutes, socos, teve um saco colocado na cabeça e ainda uma toalha sobre o rosto com água jogada em cima, para “afogá-lo”.
“Eu cheguei a desmaiar e acordei com eles me perguntando para quem eu tinha vendido o combustível”, relatou.
Na denúncia registrada pelo cantor na Corregedoria da PM, ele relata que “não aguentava mais ser torturado e agredido e acabou dizendo” que cometera o crime e quem seria o receptador. Warley contou ainda que, assim que o fez, os PMs lavaram o rosto dele, que estava ensanguentado, e o colocaram no camburão da viatura.
Trecho de denúncia feita pelo cantor Warley Carvalho contra PM
Reprodução
O cantor foi levado à delegacia de Senador Canedo e apresentado como preso em flagrante por furto de combustível. No boletim de ocorrência do caso, os PMs registraram que Warley resistiu à prisão, mas que, “quando estava mais calmo”, confessou o crime.
“Cheguei para fazer o exame de corpo delito, e os PMs falaram para o médico que eu tinha caído. Cheguei no delegado, o delegado perguntou a eles o que tinha acontecido e disseram que eu tinha resistido à prisão, mas eu estava algemado!”, contou.
Ao prestar depoimento na Polícia Civil referente à ocorrência de furto do combustível, Warley contou que fora torturado para confessar. Mais tarde, ele teve a fiança paga e foi solto.
Agressão ao casal
“No dia seguinte eu fui atras dos canhotos para provar a minha inocência. Estava com medo de me verem, então pedi para minha esposa, Deborah, descer e pegar, enquanto eu esperava no carro, mas o PM [marido da dona da empresa] estava lá de novo, à paisana”, disse o cantor.
Warley disse que o policial puxou Deborah pelos cabelos e o mandou descer do carro.
“Eu desci, ele estava armado e me deu uma coronhada no rosto e me jogou na parede. Nisso, meu telefone caiu e ele já pegou e disparou no meu rumo. Atingiu perto do meu rosto, na parede, mas graças a Deus não me pegou”, completou.
Deborah Coelho, esposa do cantor, também denunciou agressão em Senador Canedo
Reprodução/Arquivo pessoal
O cantor disse que o PM, então, pegou o celular e a esposa dele e entrou com os dois para dentro da empresa, deixando Warley de fora. Segundo Deborah contou depois ao marido e a outros policias, o PM queria as senhas do celular dela e do marido e que, enquanto exigia isso, a agrediu com socos no estômago e no rosto.
Enquanto a esposa estava dentro da empresa, Warley foi pessoalmente ao batalhão da PM pedir ajuda e voltou com os policiais militares que estavam de plantão, que retiraram a jovem de lá e a levaram para fazer exames e prestar depoimento na delegacia.
No boletim de ocorrência deste dia, 4 de setembro, consta que o PM identificado como marido da dona da transportadora prendeu Deborah por tentativa de furtar notas fiscais da empresa. Ainda neste registro policial, consta que o casal denunciou que teve os dois celulares furtados pelo policial militar, que pegou ambos e não os devolveu.
Warley também contou que uma equipe de perícia foi à empresa onde tudo teria acontecido e que conseguiu encontrar um pouco de sangue do próprio cantor na entrada da transportadora, e a bala da arma que teria sido disparada pelo PM.
Após os registros da Polícia Civil, o cantor fez a denúncia sobre essas agressões à Corregedoria da PM no último dia 9.
“Depois disso não voltei a lugar nenhum. Estou com medo, não durmo, vou ter que ir num psiquiatra. Minha esposa chora toda noite, não estou dando conta mais, não sei o que eu faço”, desabafou.
Warley Carvalho, cantor que denunciou ter sido agredido por policial militar
Reprodução/Instagram
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