Moda digital: Brasil tem potencial de crescimento em setor inovador

A moda digital, que disponibiliza peças em modelos inovadores e futuristas em forma de pixels para serem admiradas apenas nas telas ou vestidas como montagens nas redes sociais, é a nova onda no mundo fashion e do design. E o Brasil está na mira desse setor nascente, que vê potencial de crescimento e expansão da tendência entre as poderosas redes sociais nacionais.

Apesar de bastante inusitada, a novidade ganhou tração na esteira da popularidade da arte digital e tem atraído cada vez mais marcas e estilistas de renome interessados em conquistar o público mais jovem.  E com a pandemia, a moda encontrou o terreno perfeito para florescer. 

No Brasil, o e-commerce cresceu 69% em 2020, segundo o índice MCC-ENET. Nunca antes existiram tantos compradores virtuais ativos: estamos em terceiro lugar na lista dos países que mais compram pela internet. Além disso, lideramos o ranking de comércio eletrônico na América Latina, com 59,1% de participação nas vendas. 

O ambiente proporcionou o surgimento de marcas especializadas nas roupas digitais no país, além da especialização de cada vez mais profissionais locais nos designs 3D. Em junho e julho, o Brasil ainda recebeu primeira semana internacional de moda digital-only da América Latina. Mais de 50 marcas e designers integraram o lineup do evento METΛFΛSH, que aconteceu de forma 100% online.

“Há muitos projetos novos e frutíferos saindo de centros onde a moda sempre prosperou, como Paris, Londres e Berlim, mas o Brasil tem potencial de liderar esse mercado na América Latina”, diz Cathy Hackl, CEO do Futures Intelligence Group, consultoria americana que assessora marcas sobre como abordar novas tecnologias e bens virtuais.

Roupas virtuais

Projeto Glácia, da brasileira Studio AcciStudio Acci/Divulgação

As roupas digitais são feitas puramente para usar ou exibir na internet. Vestidos, calças, jaquetas e tênis, em vez de despachados pelo correio, são entregues de imediato — na forma de pixels que se fundem em peças inovadoras e futuristas.

Na hora da compra, algumas lojas usam aplicativos ou programas de realidade aumentada para que os clientes provem as roupas e já capturem seu retrato com o novo look, enquanto outras pedem que o consumidor envie uma foto para a plataforma para que o traje escolhido seja editado em seu corpo. Nesse caso, a imagem com o resultado final costuma chegar no inbox dos compradores em até três dias.

Para os mais excêntricos admiradores da alta costura, há ainda à venda artigos confeccionados como gifs animados e que não podem ser vestidos, mas servem para serem exibidos como peças de arte na internet.

“Usamos softwares de design gráfico para criar itens 3D que podem, ao mesmo tempo, imitar perfeitamente a vida real ou ostentar cores, efeitos e luzes que só a tecnologia possibilita”, diz Henrique Assis, cofundador da Studio Acci, uma empresa pioneira que vem fazendo sucesso ao desenvolver coleções para grifes de todo o Brasil.

Fundada em junho de 2020, a empresa se inspira em players internacionais, como a escandinava Carlings e a holandesa The Fabricant para produzir roupas, calçados e acessórios digitais. A marca ainda cria cenários em realidade aumentada e manequins virtuais ultrarrealistas para grifes que desejam expor seus produtos em showrooms digitais.

A empresa Genyz, fundada pelo designer Cairê Moreira, também é sucesso no país. A marca é responsável pelas peças das influencers virtuais, chamadas Mia Bot e Princess A.I., além de ser a primeira da América Latina a oferecer um serviço de escaneamento corporal digital para fabricação de roupas físicas. Moreira ainda está por trás das criações 3D das Lojas Renner, que lançou recentemente uma loja virtual no universo do jogo de videogame Fortnite.

A influencer digital Princesa AIReprodução/Instagram

Para as empresas interessadas, o investimento na moda digital também oferece a possibilidade de criar um fluxo de trabalho mais eficiente e barato, sem a necessidade da compra de materiais ou da produção de amostras para showrooms, além de claro, ser mais sustentável. A ascensão do negócio ainda envolve uma experiência comum a muitos dos consumidores, que não depende em nada da posse do objeto físico: o prazer de comprar. E quando se trata dessa satisfação, o sentimento é universal.

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