Na economia brasileira, eu vejo o futuro repetir o passado

Quem lê meus textos, me segue no Instagram, já viu minhas apresentações do banco etc, sabe o quanto repito incansavelmente que a taxa de câmbio é mais do que uma variável que mede o preço dos termos de trocas no país com os EUA. A taxa de câmbio é uma variável que mede o risco, que dá a cara do país. Ora, se ela está relativamente baixa, é porque há um interesse positivo naquele país e, portanto, os recursos estão dirigidos para esse destino; ou seja, a conjuntura está boa. Nessa primeira dezena de 2021, após um dos piores anos da história moderna, a taxa de câmbio brasileira volta a patamares de incômodo. O dólar a R$ 5,50 não é para qualquer um, encarar um produto importado ou até uma viagem fora das barreiras brasileiras a esse câmbio não é para muitos. E pior, se vocês recorrerem a textos anteriores, tenho certeza de que já falei disso, daí me remete à música do Cazuza em que ele fala que vê o futuro repetir o passado.

Olhando esses primeiros dias de janeiro, me parece que ainda estamos em 2020: doença recrudescendo, quedas de braço políticas, presidente Jair Bolsonaro falando o que não deve, e o pior de tudo, não temos nenhum plano efetivo de nada ligada à agenda econômica. Claro que o tema principal é a vacina, e deve ser. Todos têm que querer tomar vacina o mais rápido possível, não interessa sua origem. Mas além disso, o Brasil ainda é o mesmo de 2020, e arrisco a dizer que o mesmo país de 2019, 2018, 2017, só que agora com uma pandemia na conta. E daí é altamente explicável o patamar da taxa de câmbio e porque ela não baixa, nem quando vier e qual será a vacina. Por isso o mercado projeta conservadoramente taxa de cambio a R$ 5 para o final do ano, mesmo com expectativa de PIB de 3,4% (que será menor, na minha visão). 

Por isso que a esperança talvez venha do Congresso. Temos na pauta várias reformas a serem aprovadas, se estas andarem junto com a vacinação, mesmo que a passos tímidos, talvez tenhamos um pouco dos recursos de interessados em investir em países com futuros possivelmente promissores. E daí quem sabe conseguimos mostrar um museu de grandes novidades e, por consequência, quem sabe nossa suposta agenda de infraestrutura bastante interessante seja mais bem aproveitada. A saída da Ford no Brasil já acende uma luz amarela de como os investidores percebem o Brasil. Pensem nisso. O fato é que estamos em 2021 e só penso em “talvez”. Mas se você achar que eu ‘to derrotado’, saiba que ainda estão rolando os dados, porque o tempo não para.

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