Quando a gente começa a se perceber refém da tecnologia, é hora de dar um ‘pause’ e ver o que está errado

Você saberia me dizer quantas notificações você já recebeu no seu celular hoje? Provavelmente várias. E não é só você. Todo mundo recebe notificações: dos aplicativos de mensagem, de notícias, de vídeos, promoções, e por aí vai. Nós estamos sendo constantemente avisados quando algum tipo de informação está disponível. Esse influxo é constante, a ponto de algumas pessoas parecerem “viciadas” em celular: toda hora estão com celular na mão! Você conhece alguém assim? Todo mundo tem, em alguma medida, um pouco disso, mas o exagero pode gerar sintomas de ansiedade, por ficarmos sempre a mercê da “novidade” anunciada por um som ou luz do celular.

Existe um conceito que se relaciona com isso e é chamado de “Economia da Atenção”. Ele tem a ver com o fato de que nossos processos atencionais são finitos, e estamos a toda hora selecionando apenas uma pequena fração dos estímulos que estão à disposição no ambiente. Economia da atenção, então, nada mais é do que o modo como organizamos o quanto vamos prestar de atenção em tópico variados. Nós poderíamos, por exemplo, passar o dia inteiro lendo notícias, e as notícias não se esgotariam. Nós poderíamos ficar o dia inteiro conversando nos aplicativos de conversa, seja em conversas particulares ou em grupo, e as conversas não se esgotariam. Assim, dado que existe muito mais informação no mundo do que a nossa atenção daria conta, é de se esperar que a atenção – essa “mercadoria rara” – seja disputada por todo mundo que queira um momento dela. E é aí que entra o celular novamente.

Sendo a atenção uma mercadoria flutuante, que vai pra lá e pra cá, é importante que existam mecanismos que nos ajudem a prendê-la. As notificações, nesse sentido, servem para estar sempre nos condicionando a um determinado tipo de informação. E isso funciona! Tente, por exemplo, ler um livro com seu celular do lado. Toda hora que a tela acender, ou o som tocar, a sua atenção vai se direcionar para o celular. Desse modo, a gente precisa admitir: o celular, muito embora nos ajude a ficar a par das informações e nos manter em contato com as pessoas, também é uma “maquininha de desconcentração”. E aqui eu faço o meu alerta: procure sempre ser criteriosa e criterioso em que tipos de notificações você autoriza no seu celular. Busque silenciar grupos que mandam muita mensagem e que você mal vê. Evite receber notificações de compras e “promoções”. Quando a gente começa a se perceber refém da tecnologia, é melhor a gente dar um “pause”, ver o que está errado e fazer os ajustes finos pra melhorar. Organizar os momentos em que o celular é bem-vindo e os momentos em que ele deve ficar de lado pode ser um procedimento para promover nossa saúde mental e nossa qualidade de vida.

Até a próxima!

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