‘Se fossem negros matando brancos era racismo também?’, questiona Paulo Figueiredo sobre crime no RS

No Dia da Consciência Negra, um dos temas debatidos no programa 3 em 1 desta sexta-feira, 20, foi o assassinato de um homem negro espancado por seguranças brancos no estacionamento de um supermercado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Enquanto o vice-presidente Hamilton Mourão classificou a morte como lamentável e disse que o racismo não existe no Brasil, um relatório da consultoria legislativa da câmara mostra que uma série de políticas públicas que tinham como objetivo garantir os direitos da população negra foram desmontadas durante o governo de Jair Bolsonaro. Para o comentarista Paulo Figueiredo Filho, que questionou a efetividade dos programas os cortes em todas as áreas de governo são “naturais”. Ele aproveitou, ainda, para relativizar o racismo no assassinato de João Alberto Silveira Freitas.

“Qual é o componente racial do crime? Qual o indício? As mesmas pessoas que dizem que não há indícios de fraude nas eleições dos Estados Unidos são as que dizem que há indício de racismo nesse crime, né? Os padrões são diferentes dependendo da agenda e da ideologia. Eu me pergunto qual é o indício racial do crime? Alguém falou alguma coisa? Os dois eram membros de algum grupo de supremacia branca?”, questionou. “Só porque os assassinos eram brancos e a vítima era negra? Em que isso importa? Se fossem negros matando negros, tudo bem? Se fossem brancos matando brancos, tudo bem também? E se fossem negros matando brancos? Era racismo também? Qual é a diferença? Por que tantos padrões diferentes de julgamento?, perguntou, afirmando que essa é uma “pauta importada” dos Estados Unidos por grupos de ativistas.

Thais Oyama destacou que o relatório que denuncia o desmonte das políticas raciais no governo foi feito por um órgão técnico e responsável da consultoria legislativa da Câmara. Ela lembrou, ainda, que a situação de Brasil e dos Estados Unidos é diferente em relação ao racismo e que no nosso país o preconceito ocorre de forma velada. “É no mínimo constrangedor”, disse, sobre a fala de Mourão. A jornalista também afirmou que a prática de desmonte do governo Bolsonaro não é novidade. “O governo Bolsonaro pratica essa política de desmonte em todas essas áreas que ele acha que envolve o que ele entende por guerra cultural”, afirmou, dando como exemplo o ex-ministro Abraham Weintraub, que menosprezava o papel das universidades públicas. “É claro que o Bolsonaro tem direito de fazer o seu governo, de implementar a sua política, acontece que ele precisa ter alguma política para começo de conversa, né? e não é o que a gente vê”, pontuou.

Também discordando de Figueiredo, Josias de Souza lembrou de que os casos de assassinatos de pessoas pretas no país são mais comuns do que os de pessoas brancas e que essa foi a discussão trazida pela fala de Hamilton Mourão. “O que é semelhante não é a pauta, são os episódios. Você tem agressão pelos policiais nos Estados Unidos, tem agressões de policiais no Brasil. Houve inclusive coisas semelhantes nos Estados Unidos. As cenas são semelhantes. Não é a pauta que é importada, os fatos são análogos”, afirmou Josias. O comentarista lembrou do comentário de Oyama sobre os tipos distintos de racismo que se praticam no “dizer que ele não existe, como disse o vice-presidente Mourão, acho que é negar a realidade”. Sobre a relativização feita pelo comentarista, Josias lembrou que as estatísticas do país mostram que pessoas pretas e pardas são maior parte das vítimas de violência. Segundo dados do Atlas da Violência de 2018, a taxa de homicídio de pessoas negras do Brasil era de 37,8 a cada 100 mil habitantes, enquanto a taxa de homicídio de pessoas não negras no mesmo período foi de 13,9.

Confira o programa 3 em 1 desta sexta-feira, 20, na íntegra:

 

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