Sem Papai Noel por causa da pandemia, shoppings apostam em videochamadas, Smurfs e até coelhinhos

Mickey Mouse, Smurfs e os coelhos compartilham uma mesma característica: todos são personagens do universo infantil. No entanto, neste ano, além de figuras das principais fábulas e desenhos, eles também se tornaram temas de decorações natalinas, substituindo os tradicionais duendes, bonecos de neve e, até mesmo, a principal figura do Natal: o Papai Noel. Em um ano marcado pela impossibilidade de contato entre crianças e o bom velhinho, shoppings centers e centros comerciais paulistas adotam ferramentas tecnológicas e buscaram novas maneiras para atrair o público. Com uma temática especialmente voltada para a pandemia da Covid-19 e seus significados, o Shopping Jardim Sul, na capital paulista, escolheu um tema diferente para o Natal 2020: as janelas. O motivo para a escolha se deu pelo forte significado delas durante o período de isolamento social. “O ano de 2020 foi muito desafiador, e as janelas foram os símbolos por onde as pessoas expressaram suas emoções, compartilharam sentimentos. No momento do isolamento social, a janela foi um símbolo muito representativo de conexão com o mundo. Das janelas que as pessoas expressaram sua solidariedade ao próximo, sua gratidão aos profissionais da saúde, que tanto fizeram por todos. E foram das janelas que as pessoas se manifestaram por um mundo melhor”, conta a gerente de marketing do Jardim Sul, Maria Luiza Thome.

Em um ano sem a presença física do Papai Noel, o centro comercial planejou toda a ambientação do espaço ao novo tema natalino. Na decoração, diferentes janelas enfeitam a árvore de Natal e, com o uso da tecnologia, os visitantes podem fazer videochamadas e espiar pela janela o Papai Noel. “Tem criança que você realmente vê os olhos brilhando por estar ali, vendo o Papai Noel na casa dele. E isso começa a fazer muito sentido, porque elas sabem que [pela pandemia] ele não pode sair. ‘Ele está na casa dele, mas ele não deixou de me ouvir’, elas pensam. Então, não foi um ano perdido. No final das contas, pelo menos conseguimos conectar e trazer essa magia do Natal em um ano tão difícil.”

Outro shopping que adotou recursos tecnológicos para aproximar os visitantes do Papai Noel foi o São Bernardo Plaza Shopping, localizado na Grande São Paulo. Por meio de agendamento, as famílias podem reservar um horário para conversar, também por videochamada, com a figura natalina. As reservas são feitas por aplicativo e cada conversa dura, em média, cinco minutos. “A gente consegue perceber o quão felizes as crianças e as famílias saem depois do tempo que elas têm com o Papai Noel. É gostoso poder viver isso daqui. Em um ano em que a gente triplicou a segurança, poder ver o sorriso de uma criança”, conta o superintendente Yuri Lomazzi. Quanto à decoração, neste ano o tema principal do espaço são os Smurfs, protagonistas de filmes e desenhos infantis. Com direito a réplicas, o vermelho natalino abre espaço para os diferentes tons de azul, marca registrada dos personagens. A mudança de tema acompanha uma tendência que busca unir a magia do Natal com personagens queridos pelo público. “A escolha foi pensada para conectar gerações, eles têm esse impacto muito bacana quando pensamos na história deles. Há muitos adultos que tiveram os Smurfs como parte da infância e que têm vindo ao shopping.”

Na zona leste da capital paulista, o Shopping Anália Franco foi mais um dos locais que investiu em tecnologia para conquistar consumidores durante o período de isolamento. Com o tema “Vale Acreditar nos Sonhos”, o espaço conta com duas árvores de Natal, de 14 e 13 metros de altura, diversos ursos e um Papai Noel de cinco metros. Entre as opções tecnológicas e digitais se destacam a presença de um totem simulador, que imprime fotografias e permite aos visitantes escolher “looks do bom velhinho para uma foto ainda mais divertida”, e o Whatsapp do Papai Noel. “Conseguimos instalar uma câmera escondida na casa do bom velhinho. É possível observá-lo cozinhando, fazendo ginástica na sala, respondendo mensagens no celular, conferindo os pedidos na fábrica de brinquedos, entre outras atividades do dia a dia. Para falar com ele, é só enviar uma mensagem. O Noel irá responder por áudio todas as crianças que mandarem sua cartinha em forma de recado”, informou o Anália Franco, em despojada nota enviada à Jovem Pan. Neste ano, a expectativa é de que 43% dos shoppings utilizem recursos tecnológicos para aproximar as crianças – e adultos também – do Papai Noel. A informação faz parte de uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) com centros comerciais de todo o país. Entre as principais opções adotadas estão as videochamadas, painéis touch screen e as conversas pelos aplicativos de mensagem. De acordo com os estabelecimentos, são alternativas que procuram, em meio à pandemia, manter acesso o espírito natalino e seguir todos os protocolos de segurança sanitária.

Outras unidades da Grande São Paulo também buscaram temas diversos e alternativas digitais para este Natal. O Shopping Villa Lobos aposta no “Jardim Encantado” e também tem como opção a videochamada com o Papai Noel. O Mooca Plaza apresenta a “Fábrica de Biscoitos” e utiliza a realidade aumentada em um jogo interativo que simula a produção dos doces. No Morumbi Shopping, a tradicional decoração natalina em vermelho, verde e dourado  – e uma árvore de 35 metros – conta com totem simulador para as fotos e a opção da videochamada. “A interação com o Noel acontece por meio de uma tela de TV de alta resolução na posição vertical, enquanto ele estará em uma sala do shopping, devidamente isolado e protegido, sem qualquer contato com o público”, informou a assessoria de imprensa do estabelecimento da zona oeste. A casa do Papai Noel é tema do Shopping Vila Olímpia e do ParkShopping São Caetano, ambos também com totens digitais para fotografias com o bom velhinho.

Ausência natalina

Embora a opinião do público sobre as novas tecnologias seja positiva, nem todos os shoppings irão adotar estas alternativas para conectar o Papai Noel aos pequenos visitantes. De acordo com a Abrasce, em 19% dos centros comerciais do Brasil a figura natalina nem sequer será usada. Os motivos para a ausência do bom velhinho são diversos, mas, na maioria dos casos, garantir a segurança dos papais noéis durante a pandemia foi a principal preocupação na hora decidir pela suspensão da atração. “A gente preferiu preservar as pessoas porque o Papai Noel é do grupo de risco. É melhor não tê-lo do que tê-lo de uma maneira em que as crianças não conseguiriam o mesmo acesso do qual gostariam”, explica Luana Meneses, porta-voz do Vale Sul Shopping, localizado em São José dos Campos, cidade do interior de São Paulo. Neste ano, os coelhos formam o tema principal da decoração natalina, que não faz nenhum tipo de menção ao bom velhinho. Ao todo, mais de 150 coelhinhos compõe a temática, que inclui espaços instagramáveis e uma montanha russa. “A gente pensou que em novembro estaríamos em outro cenário [de pandemia]. Então, além de trazer uma esperança de ter um final de ano juntos e comemorando, o coelho também representa a prosperidade. Todas essas qualidades do coelho nós trouxemos para o Natal. O coelho não veio para fazer o papel do Papai Noel, ele veio para somar”, explica Luana, que reconhece que o tema curioso gerou questionamentos do público. “As crianças gostam muito, elas são, normalmente, muito mais abertas para novas coisas. Nós, adultos, é que questionamos.”

Além do Vale Sul, outro shopping de São José dos Campos que também recorreu a uma temática diferente em 2020 foi o CenterVale. Apresentando o personagem mais famoso da Disney, o Mickey Mouse, a praça de eventos do centro comercial traz duas alternativas de brinquedos para as crianças: um gira-gira, higienizado a cada uso, e um jogo interativo. Além disso, o shopping disponibiliza, por leitura de um QR Code, o Papai e a Mamãe Noel em realidade aumentada, o que também possibilita um registro fotográfico com o personagem natalino. “Com o recurso da realidade aumentada, o Papai Noel fica no celular da criança, então ela pode, quando chegar em casa, projetar a figura natalina no quarto dela e tirar uma nova foto”, comenta Magda Martins, porta-voz do CenterVale. Para a escolha do Mickey Mouse, o shopping buscou um personagem que fosse “tão conhecido e tão amado quanto o Papai Noel”. No geral, independente do tema escolhido, uma percepção é unânime entre os shoppings e centros comerciais: não há distanciamento ou personagem que substitua o bom e tradicional Noel. A expectativa para os próximos anos é de que os centros comerciais possam voltar a receber as atrações presenciais e façam desse retorno um grande motivo para celebrar. “O Papai Noel fisicamente, nos shoppings, não será substituído por uma tecnologia, muito pelo contrário. No ano que vem, a chegada do Papai Noel será o ponto mais esperado do Natal, porque as pessoas realmente estarão na expectativa. Nenhuma tecnologia vai substituir o bom velhinho.”

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