O workation ganhou espaço nos roteiros de quem trabalha à distância e já desperta o interesse de hotéis de todos os portes. Segundo Gianmarco Marchetti, gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, a proposta une estadia prolongada, rotina profissional e lazer no mesmo destino. Isto posto, o tema pede uma análise cuidadosa, porque a hotelaria tende a confundir uma demanda momentânea com uma mudança estrutural do mercado. Com isso em mente, a seguir, você confere o que esse viajante procura, quanto o modelo pode render e quais cuidados evitam o prejuízo.
O que o hóspede em workation realmente precisa?
O viajante em trabalho remoto compara o hotel a um escritório temporário. Conforme frisa Gianmarco Marchetti, ele avalia a estadia pela capacidade de manter a produtividade intacta, e não apenas pelo conforto do quarto. Desse modo, quatro necessidades aparecem com mais frequência nesse perfil de hóspede, e todas envolvem rotina de trabalho:
- Internet estável: conexão dedicada, com velocidade compatível com videochamadas e envio de arquivos pesados;
- Estação de trabalho: mesa ampla, cadeira confortável, boa iluminação e tomadas acessíveis;
- Silêncio e privacidade: quartos e áreas comuns que permitam reuniões sem interrupções;
- Flexibilidade de horários: café da manhã estendido, check-out tardio e serviços de lavanderia ágeis.
Esses requisitos têm algo em comum: todos custam pouco perto do valor que geram. A maioria dos hotéis já possui parte da estrutura e precisa apenas organizá-la para esse público. Logo, quem investe primeiro em conexão e ergonomia tende a conquistar a recomendação de hóspedes que permanecem semanas, não dias.
O workation compensa financeiramente para o hotel?
A resposta depende da operação. A estadia prolongada reduz a rotatividade de quartos, diminui o custo de limpeza por diária e garante receita previsível em períodos de baixa ocupação. Em contrapartida, o hóspede de longa permanência consome menos serviços avulsos e negocia tarifa menor. De acordo com o administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, o modelo compensa quando preenche datas ociosas, e perde força quando disputa espaço com a alta temporada. O cálculo deve considerar a margem por quarto.
Na prática, o hotel pode testar o modelo com pacotes semanais e mensais, vendidos em datas de baixa demanda. Esse formato limita o risco, mede o interesse real do público e permite ajustar preço e serviços de forma gradual, antes de qualquer investimento maior em estrutura.
O workation é um modismo ou uma tendência consolidada?
O modismo existe quando o hotel apenas troca o discurso e mantém a mesma estrutura. A tendência se sustenta quando o trabalho remoto se firma como hábito, e isso já se observa em profissionais que alternam semanas no escritório com períodos de trabalho em outros destinos. O desafio é transformar essa rotina em produto permanente. Quando isso ocorre, o hotel deixa de vender uma moda e passa a vender uma rotina de trabalho confortável.
Assim sendo, a diferença entre os dois cenários está na consistência da oferta. Tendo isso em vista, hotéis que divulgam o workation sem treinar a equipe, sem revisar a internet e sem ajustar os espaços criam expectativas que a operação não cumpre, e o resultado aparece rapidamente nas avaliações online, pontua Gianmarco Marchetti.
Como estruturar uma oferta de workation sem inflar custos?
O ponto de partida é conhecer o público. Hotéis urbanos atraem profissionais que buscam praticidade, enquanto resorts e pousadas de natureza vendem silêncio e desconexão após o expediente. Segundo Gianmarco Marchetti, cada perfil exige um pacote próprio, com espaços de coworking, tarifas por período e benefícios que façam sentido para quem passa semanas hospedado, como lavanderia inclusa e refeições flexíveis.
Além disso, a comunicação precisa ser honesta. Anunciar mesas, internet e ambientes silenciosos só funciona se o hóspede encontrar tudo isso disponível na chegada. Quando a promessa se confirma de forma consistente, o hotel conquista estadias mais longas, retorno frequente e indicações entre profissionais que trabalham à distância.
O workation vale a aposta quando nasce de planejamento
Em síntese, o workation representa uma oportunidade real para a hotelaria que se prepara, e um modismo caro para quem improvisa. Como ressalta o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti, o retorno aparece quando o hotel conhece o hóspede, ajusta a estrutura com critério e mede resultados por margem, não por ocupação. Assim, quem testar com cautela hoje terá vantagem quando a demanda amadurecer.
Para o gestor que avalia o próximo passo, a recomendação é simples: comece pequeno, ouça o hóspede e proteja a margem. Ou seja, o workation não substitui a vocação do hotel, mas amplia o seu calendário de receita e aproxima a hospedagem de uma nova forma de viver e trabalhar.