Márcio Alaor de Araújo, executivo do mercado financeiro, observa que dificilmente existe algo mais desgastante para um líder do que precisar administrar rivalidade entre áreas da própria empresa. Essa comparação costuma surgir de forma sutil, alimentada pela falta de diálogo entre lideranças e pelo pouco conhecimento que cada área tem sobre os desafios reais das outras.
De fato, diversos fatores contribuem para essa desarmonia interna: a existência de múltiplos setores dentro da mesma estrutura, a ausência de comunicação constante entre líderes e a percepção equivocada de que algumas áreas contribuem mais para o resultado da empresa do que outras. Esse tipo de comparação, quando não administrada com cuidado, tende a se transformar em competição destrutiva, em vez de estímulo saudável ao crescimento.
Veja como líderes conseguem administrar a comparação entre diferentes áreas da mesma empresa, transformando rivalidade em colaboração produtiva.
Por que a comparação entre áreas surge com tanta facilidade?
Departamentos diferentes costumam ter objetivos, metodologias e níveis de maturidade distintos, o que já cria terreno fértil para comparações desiguais. Quando uma área atinge resultados expressivos em determinado período, é natural que isso gere reconhecimento, mas também desconforto silencioso entre equipes que não tiveram o mesmo destaque, mesmo contribuindo de formas diferentes para o resultado geral da empresa.
Márcio Alaor de Araújo nota que esse tipo de comparação se intensifica quando a liderança da empresa alimenta, mesmo sem intenção, a ideia de que alguns departamentos são mais estratégicos do que outros. Áreas percebidas como menos centrais tendem a se sentir desvalorizadas, o que compromete engajamento e, paradoxalmente, a própria contribuição que poderiam oferecer ao resultado coletivo.
Esse desconforto silencioso raramente é verbalizado diretamente à liderança, o que dificulta ainda mais sua identificação. Ele costuma aparecer de forma indireta, em queda de engajamento, aumento de rotatividade ou resistência a projetos que envolvem colaboração entre áreas.
O papel da comunicação transparente entre lideranças
Márcio Alaor de Araújo aponta que a falta de diálogo constante entre líderes de diferentes áreas é uma das causas mais recorrentes desse tipo de comparação prejudicial. Quando cada liderança conhece pouco os desafios da área vizinha, é fácil presumir que o próprio trabalho é mais difícil ou mais relevante do que o dos colegas.

Diante disso, criar espaços regulares de troca entre lideranças, onde cada área apresenta seus desafios e conquistas para as demais, ajuda a construir entendimento mútuo. Esse tipo de exposição reduz a tendência de julgar o trabalho alheio com base em suposições, substituindo comparação por reconhecimento genuíno da complexidade específica de cada função.
Reconhecimento equilibrado como ferramenta de gestão
Um erro recorrente é o líder maior da empresa destacar publicamente os resultados de apenas algumas áreas, sem contextualizar como o desempenho de um departamento depende, direta ou indiretamente, do trabalho de outros setores. Esse tipo de comunicação, mesmo bem-intencionada, reforça hierarquias implícitas entre áreas.
Por outro lado, reconhecer publicamente conquistas de diferentes departamentos, sempre destacando as conexões entre eles, ajuda a comunicar que o resultado da empresa é coletivo, não uma soma de vitórias isoladas de setores específicos competindo entre si por validação da liderança.
Transformando comparação em colaboração produtiva
Comparar desempenho entre áreas não precisa ser, necessariamente, prejudicial. Quando usada com propósito claro, essa prática pode ajudar a identificar boas práticas em uma área e replicá-las em outras, funcionando como aprendizado interno em vez de disputa por reconhecimento.
Márcio Alaor de Araújo reforça que a diferença entre comparação saudável e rivalidade destrutiva está na intenção declarada por trás dela. Quando líderes deixam claro que o objetivo é aprender e evoluir juntos, e não determinar qual área é mais valiosa, a comparação natural entre departamentos deixa de corroer a colaboração e passa a fortalecer o resultado da empresa como um todo.