A lenda renasceu: as versões restauradas e exclusivas do Jaguar E-Type

Quando o Jaguar E-Type foi lançado, Enzo Ferrari sentenciou: “É o mais belo carro já criado”. Mais do que ninguém, o engenheiro italiano, conhecido por seu espírito competitivo e por suas macchinas icônicas, sabia do que estava falando. Apresentado em março de 1961 no Salão do Auto­mó­vel de Genebra, o cupê de código 9600 HP chegou a tempo de pegar a abertura do evento graças à perfeita condução do executivo Bob Berry, que o dirigiu da Inglaterra à Suíça com pontualidade britânica. O sucesso foi tamanho que Sir William Lyons (1901-1985), o patrono da marca, pediu ao piloto de testes Norman Dewis que repetisse o percurso com outro protótipo, o conversível de código RW 77, atendendo à curiosidade da imprensa e à demanda dos compradores. Dewis fez o trajeto da cidade de Coventry, sede da Jaguar à época, ao salão em Genebra em apenas onze horas, a uma velocidade média de 150 quilômetros por hora. No fim, a empresa havia vendido 500 unidades e os dois protótipos retornaram à fábrica com um total de 2 250 quilômetros percorridos cada um. Estava criada a lenda: um carro que conquistou a Europa e o mundo, sinônimo de sofisticação e velocidade. E agora, para marcar o aniversário do lançamento, a Jaguar Classic está produzindo uma série limitada e exclusiva de seis pares restaurados, inspirados nas máquinas que fizeram a fantástica viagem a Genebra sessenta anos atrás.

MITO - Sir William Lyons: o fundador da Jaguar ao lado do protótipo 9600 HP, em apresentação à imprensa –JDHT/.

A restauração do Jaguar E-Type não é novidade nem exclusividade da montadora. Colecionadores recuperam e modernizam joias do passado ao custo de milhares de dólares. Alguns compram veículos em mau estado e entregam a oficinas especializadas, mas isso por vezes acaba por tirar a autenticidade do veículo. A Jaguar, fundada em 1922 e fabricante de carros desde 1935, quer justamente evitar esse problema e, no processo, abocanhar um pedaço do mercado de restauração. Um E-Type Série 1, fabricado de 1961 a 1968 e restaurado pela própria Jaguar, não sai por menos de 355 000 dólares (mais de 2 milhões de reais), valor mais baixo que o de uma Ferrari 812 Superfast/GTS, ano 2021 — sem impostos, claro.

CLÁSSICO - O modelo 1965 de Elton John: levado a leilão com outros carros da coleção do astro do rock –CHRISTIE'S/EFE

A nova série, batizada E-Type 60 Edition, vai privilegiar as versões equipadas com motor 3.8 de seis cilindros, com potência de 265 bhp. Os seis cupês remetem ao protótipo 9600 HP, com o tom cinza Flat Out Grey e interior de couro preto liso. Cada um deles será combinado com um conversível 77 RW, que terá uma pintura exclusiva em tom verde chamada Drop Everything Green e acabamento em couro de camurça verde. A ideia é manter a maior quantidade de peças originais, substituindo componentes estruturais enferrujados e itens que foram melhorados posteriormente. Isso inclui refrigeração aprimorada, caixa de marchas totalmente sincronizadas e pastilhas de freio com tecnologia avançada. As restaurações serão feitas na atual fábrica da Jaguar, no condado de Warwickshire. Os veículos vão incorporar detalhes de design comemorativos, criados em parceria com Julian Thomson, diretor de design da Jaguar — o que inclui uma placa no console gravada com o mapa do trajeto percorrido por Berry e Dewis.

arte jaguar

Ícone de uma geração, o Jaguar E-Type teve mais duas séries produzidas, entre 1968 e 1971 (série 2) e de 1971 a 1974 (série 3). A combinação de estilo e velocidade — com máxima de 240 quilômetros por hora —, além de um preço atraente em comparação com o de outros veículos de luxo da época, transformou o carro em um mito e em desejo de consumo. Não por acaso, o esportivo foi incluído em 1996 na coleção do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. A lista de celebridades que pilotaram o E-Type e suas variações inclui Steve McQueen, Brigitte Bardot, Frank Sinatra, George Harrison, Tony Curtis, Elton John e Britt Ekland. E essa lista deve aumentar com a edição E-Type 60, cujos exemplares serão vendidos apenas em pares — o comprador leva obrigatoriamente o cupê e o conversível em um pacote só, sem chance de negociação. Quem entrar (ou já entrou) na lista de espera não pode mexer no projeto de customização a seu bel-prazer, mas ao menos pode escolher se o volante vai na esquerda (mão americana e brasileira) ou na direita (mão inglesa e japonesa) — o que garante uma pilotagem confortável em qualquer pista do planeta. A Jaguar não revela o preço do combo, mas, por se tratar de uma série limitada a seis pares, é possível que chegue a 1 milhão de dólares. Uma cifra elevada, é verdade. Mas do tamanho de uma lenda que celebra sessenta anos.

Publicado em VEJA de 21 de abril de 2021, edição nº 2734

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