Talibã toma província ao sul de Cabul; presidente do Afeganistão diz buscar 'solução política de paz e estabilidade'

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Grupo extremista amplia o controle sobre o território afegão. Cerco sobre Cabul aumenta com tomada da cidade de Pul-e-Alam – na província de Logar –, a 70km da capital afegã. Foto de arquivo mostra soldado afegão em guarda na província de Logar, em foto de 2016
Omar Sobhani/Reuters/Arquivo
O Talibã tomou o controle, neste sábado (14), da cidade de Pul-e-Alam – capital da província de Logar –, a 70km de Cabul, segundo líderes regionais. A tomada aumenta o cerco do grupo extremista islâmico sobre o governo do Afeganistão que ainda mantém o controle da capital.
O presidente afegão Ashraf Ghani falou pela primeira vez, neste sábado, em um pronunciamento à nação após o início das ações do grupo insurgente que vem controlando parte do país desde o início da retirada de tropas americanas há menos de três semanas.
“Iniciei consultas que avançam rapidamente no governo, com líderes políticos, parceiros internacionais, para encontrar uma solução política que traga paz e estabilidade ao povo afegão”, disse Ghani. “A remobilização de nossas forças de segurança e defesa é nossa prioridade número um.”
Talibã patrulha cidade de Ghazi, perto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta-feira (12)
Gulabuddin Amiri/AP Photo
Na quinta-feira (12), o grupo extremista islâmico afirmou ter conquistado Kandahar, a segunda maior cidade do Afeganistão.
“Kandahar está completamente conquistada”, declarou um porta-voz do Talibã em uma conta oficial no Twitter. Um morador da cidade confirmou a captura à AFP, observando que as forças do governo se retiraram em massa para uma instalação militar nos arredores da cidade.
Mais cedo, o Talibã havia tomado a cidade de Ghazni, que é considerada estratégica para lutar para tentar dominar Cabul, a 150km dali. O grupo também se aproxima da conquista de Herat, a terceira maior cidade do Afeganistão.
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Proposta do governo para dividir o poder
Combatentes do Talibã são vistos dentro da cidade de Farah, capital da província de Farah, a sudoeste de Cabul, em 10 de agosto de 2021, no Afeganistão
Mohammad Asif Khan/AP
De acordo com a rede Al Jazeera, o governo fez uma proposta ao Talibã para que haja uma divisão de poder, se a violência acabar.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que não tem conhecimento dessa proposta, mas que o grupo não considera dividir o poder com uma autoridade que não reconhece.
“Nós não aceitaremos nenhuma oferta como essa porque não queremos ser parceiros da administração de Cabul —não queremos nem ficar e nem trabalhar um único dia com eles”, afirmou.
O governo dos Estados Unidos anunciou meses atrás a retirada completa dos soldados americanos no Afeganistão até 11 de setembro — marco de 20 anos do atentado terrorista que marcou o início do século. Porém, cerca de 650 militares ainda estão no país para dar segurança ao corpo diplomático americano em Cabul.
Entenda a retirada dos EUA do Afeganistão no VÍDEO abaixo
Afeganistão: Talibã avança com saída próxima de tropas dos EUA
Houve um acordo entre os EUA e o Talibã no ano passado que determinou que o grupo insurgente não iria atacar as forças norte-americanas durante o período de saída. Em troca, os talibãs prometeram não permitir que o país seja usado para terrorismo internacional.
O Talibã também se comprometeu a discutir um acordo de paz. Os diálogos, no entanto, não produziram efeito.
EUA correm para retirar funcionários
Seção consular da Embaixada dos EUA em Cabul, no Afeganistão, em foto de 30 de julho
Reuters
Os Estados Unidos vão enviar ao Afeganistão um grupo de militares que vai ajudar na retirada de parte dos funcionários da Embaixada dos EUA em Cabul em meio ao avanço do Talibã, informaram fontes oficiais a agências de notícias nesta quinta-feira (12).
Esses militares vão fornecer apoio terrestre e aéreo aos funcionários durante o trajeto até o aeroporto de Cabul, segundo a agência Associated Press.
A iniciativa demonstra falta de confiança por parte da Casa Branca na capacidade do governo afegão em dar segurança diplomática suficiente na capital do Afeganistão — país que teve duas das três maiores cidades já tomadas pelo grupo extremista islâmico Talibã.

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