O design está bonito demais para ser lembrado?

Benoit Montvern
Benoit Montvern Notícias
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Dalmi Defanti

O design gráfico passou por transformações que ampliaram as possibilidades de criação e elevaram o nível de acabamento das imagens utilizadas pelas marcas. Para Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, essa evolução também levanta uma questão importante: será que produzir materiais visualmente impecáveis é suficiente para conquistar espaço na memória do consumidor? Com ferramentas digitais cada vez mais acessíveis, empresas de diferentes segmentos conseguem apresentar comunicações sofisticadas, mas muitas acabam utilizando soluções estéticas semelhantes. 

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Por que tantas marcas estão ficando visualmente parecidas?

A popularização de plataformas de criação, bibliotecas de modelos e ferramentas de inteligência artificial facilitou a produção de materiais gráficos com aparência profissional. Atualmente, empresas conseguem desenvolver peças com tipografia organizada, combinações cromáticas equilibradas e imagens elaboradas sem necessariamente recorrer a processos complexos. Entretanto, essa facilidade também contribui para a circulação de referências semelhantes entre diferentes setores, tornando mais difícil construir uma comunicação visual verdadeiramente distinta.

Quando muitos projetos utilizam os mesmos recursos, determinados padrões começam a aparecer repetidamente. Gradientes suaves, fontes minimalistas, fotografias excessivamente tratadas e composições geométricas previsíveis podem ser encontrados em comunicações de empresas com propostas completamente diferentes. Embora essas escolhas não representem problemas isoladamente, sua repetição pode reduzir a capacidade de diferenciação visual e dificultar o reconhecimento imediato de uma identidade específica pelo público.

Na perspectiva de Dalmi Defanti Cuiabá, essa situação permite distinguir domínio técnico de construção de identidade. Conhecer ferramentas e executar composições bem-acabadas são competências importantes, mas a personalidade de uma marca depende de decisões que ultrapassam a aparência imediata. É necessário compreender quais elementos representam suas características e como eles podem ser utilizados de maneira consistente, preservando uma linguagem visual própria em diferentes materiais e canais de comunicação.

Uma imagem perfeita pode ser esquecida mais rapidamente?

A memória visual não depende exclusivamente da beleza de uma composição. Elementos distintivos, associações recorrentes e características facilmente reconhecíveis também influenciam a identificação de uma marca. Por isso, uma imagem extremamente refinada pode causar uma impressão positiva no primeiro contato sem necessariamente apresentar detalhes que permaneçam associados à empresa posteriormente.

Dalmi Defanti
Dalmi Defanti

Imagine duas marcas que utilizam fotografias semelhantes, fontes discretas e a mesma organização de informações. Individualmente, seus materiais podem apresentar excelente qualidade estética. Entretanto, quando colocados lado a lado, talvez seja difícil identificar qual peça pertence a cada empresa. O problema não está na execução, mas na ausência de características suficientemente particulares para estabelecer uma diferenciação.

Conforme destaca Dalmi Defanti, isso não significa que imagens imperfeitas sejam automaticamente mais memoráveis. Uma composição simples, por exemplo, pode apresentar identidade marcante quando utiliza cores, proporções e elementos gráficos de maneira consistente. O reconhecimento depende da combinação entre diferenciação e repetição ao longo do tempo, permitindo que o público estabeleça associações entre determinadas escolhas visuais e uma marca específica.

O excesso de acabamento pode prejudicar a personalidade?

Pode, especialmente quando a busca por uma aparência considerada universalmente agradável elimina características que poderiam diferenciar uma empresa. Ao suavizar contrastes, padronizar composições e substituir elementos particulares por soluções estéticas populares, determinados projetos acabam perdendo expressividade. O resultado pode ser uma comunicação visual correta, mas pouco representativa da identidade que deveria transmitir, dificultando a construção de uma presença marcante e reconhecível no mercado.

Para Dalmi Defanti, a experiência no setor gráfico ajuda a relacionar essa discussão às escolhas realizadas durante o desenvolvimento de uma peça. Texturas, formas, proporções e tratamentos de imagem não precisam seguir um único padrão de sofisticação. Dependendo do público e da proposta, uma linguagem mais expressiva pode comunicar melhor determinadas características do que uma composição excessivamente polida, especialmente quando os elementos visuais reforçam a personalidade e os valores associados à marca.

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