Nos últimos anos, o consumo de entretenimento passou por uma verdadeira transformação, e grande parte disso se deve ao impacto das redes sociais. A maneira como as pessoas acessam e escolhem o que assistir, ouvir ou ler foi profundamente alterada por plataformas como Instagram, TikTok e Twitter. Essas redes sociais têm sido fundamentais para definir tendências, promover conteúdos e influenciar diretamente o comportamento do público. E quando falamos em marketing no entretenimento, elas desempenham um papel ainda mais significativo, contribuindo para que artistas, filmes, músicas e livros se tornem fenômenos globais praticamente da noite para o dia.
A pandemia foi um divisor de águas nesse processo, acelerando a adoção de serviços de streaming e a mudança no comportamento do consumidor. Ao ficarem mais tempo em casa, as pessoas passaram a consumir mais conteúdo digital, e as redes sociais, por sua vez, passaram a ser uma das principais fontes de recomendações. Hoje, muito do que assistimos ou ouvimos é influenciado por campanhas publicitárias que utilizam influenciadores digitais para impulsionar a popularidade de conteúdos. Isso é ainda mais evidente em plataformas como o TikTok, onde tendências de vídeos virais geram engajamento instantâneo e, consequentemente, aumentam a visibilidade de músicas, filmes e livros.
Um dos exemplos mais claros dessa dinâmica é o caso das séries e filmes que ganham popularidade por meio das redes sociais. A Netflix, por exemplo, tem visto uma enorme influência do TikTok no sucesso de produções como “Bridgerton”, que se tornaram fenômenos culturais graças ao conteúdo gerado pelos próprios usuários. Criadores de conteúdo que compartilham suas opiniões e experiências sobre esses programas acabam ajudando a aumentar a demanda e o interesse, muitas vezes fazendo com que os programas ganhem vida nova entre o público. Esse tipo de interação entre os consumidores e as redes sociais é o que tem impulsionado novas formas de marketing digital no setor do entretenimento.
Além das produções audiovisuais, outro setor que tem se beneficiado enormemente das redes sociais é o mercado literário. A comunidade ‘BookTok’, por exemplo, tem revolucionado a maneira como os livros são promovidos. Criadores de conteúdo especializados em literatura compartilham suas experiências de leitura e recomendações de livros, fazendo com que títulos menos conhecidos ganhem relevância de forma inesperada. O sucesso de livros como A Canção de Aquiles, que se tornou um bestseller anos após a sua publicação, é um excelente exemplo de como as redes sociais podem transformar completamente a trajetória de um produto cultural. Isso mostra que as redes sociais não só promovem livros populares, mas também permitem que obras menos divulgadas alcancem grandes públicos.
No setor musical, o impacto das redes sociais é igualmente notável. Músicas que são utilizadas em vídeos virais ou desafios do TikTok acabam encontrando uma nova vida nas plataformas de streaming. O exemplo clássico disso é a música “Dreams”, do Fleetwood Mac, que voltou às paradas de sucesso após um vídeo viral no TikTok. Artistas emergentes também têm usado as redes sociais para aumentar seu alcance global. Olivia Rodrigo, por exemplo, alcançou sucesso internacional com suas músicas impulsionadas por trends nas redes sociais. A força dessas plataformas é tal que até músicas de programas infantis ou trilhas sonoras de filmes ganham nova popularidade através de vídeos e desafios criados pelos usuários.
Ao mesmo tempo, o marketing no entretenimento tem evoluído, tornando-se mais focado e personalizado. As marcas perceberam que utilizar influenciadores digitais para promover seus produtos culturais pode gerar um engajamento mais real e profundo do que os métodos tradicionais. Campanhas publicitárias que envolvem criadores de conteúdo têm se mostrado muito eficazes em alcançar um público mais jovem, que busca autenticidade e conexão com os produtores de conteúdo. Exemplos disso são as campanhas realizadas por empresas de entretenimento como a Paramount Pictures, que usou influenciadores para promover o filme “Um Lugar Silencioso 2”, ou a Disney+, que fez parcerias com criadores para divulgar a série “Gavião Arqueiro”. Essas campanhas demonstram como as redes sociais estão mudando o jogo do marketing no setor.
No entanto, embora as redes sociais ofereçam oportunidades de crescimento e visibilidade, elas também apresentam desafios. A constante exposição a tendências e conteúdos patrocinados pode levar o público a consumir de maneira mais passiva, sem realmente escolher o que deseja assistir ou ouvir. Muitas vezes, o algoritmo das plataformas define o que será mostrado ao usuário, limitando suas opções e criando uma sensação de que o entretenimento disponível é mais restrito do que realmente é. Isso levanta uma questão importante sobre a verdadeira liberdade de escolha e o impacto que as plataformas digitais têm sobre a liberdade de decisão dos consumidores.
Outro ponto relevante é o impacto psicológico das redes sociais no consumo de entretenimento. A pressão para se alinhar às tendências e consumir os mesmos conteúdos que os outros pode gerar um sentimento de exclusão ou inadequação para aqueles que não seguem os padrões estabelecidos. Isso pode afetar diretamente o comportamento do consumidor, que se vê constantemente influenciado por opiniões e preferências alheias. Ao mesmo tempo, a “sobrecarga de informações” nas redes sociais pode tornar o ato de escolher um conteúdo algo mais desafiador, já que a quantidade de opções se torna quase infinita, mas ainda assim guiada por algoritmos que nem sempre atendem aos interesses individuais.
Em resumo, o impacto das redes sociais no entretenimento é multifacetado. Elas têm o poder de transformar artistas e obras em sucessos instantâneos, moldando o comportamento do consumidor de formas que antes eram impensáveis. No entanto, é importante refletir sobre como essas plataformas também podem limitar nossas escolhas e influenciar o que consumimos. À medida que avançamos, será necessário encontrar um equilíbrio entre as possibilidades oferecidas pelas redes sociais e a preservação da liberdade individual no processo de escolha do que consumir. O futuro do entretenimento digital dependerá de como conseguimos navegar nesse novo cenário e encontrar formas de manter nossa autenticidade e autonomia em um mundo cada vez mais moldado pelas tendências digitais.
Autor: Schimtz
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital